Narrativas de Bolso

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EQUADOR EM QUATRO TEMPOS

Edvaldo Pereira Lima

1 – Chegando Aqui

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São dessas coisas boas do mundo pós-moderno globalizado.  Sim, acontecem. Nem tudo é só desgraceira na aldeia global em que nos tornamos.

Deixe-me explicar.  A origem desta viagem.

Havia crédito de milhas a expirar na minha conta do programa de viajante frequente da American Airlines. Decidi conhecer o Equador, um dos poucos países – ao lado das Guianas – da América do Sul que não conhecia.  Só que a American não voa do Brasil direto para lá.

Por sorte, porém, acontece que a American faz parte da aliança One World, da qual participa também a Latam que voa de São Paulo para Quito, com conexão em Lima. E sim, informou-me a American, eu poderia usar as milhas-prêmios na Latam.

Pronto!

Então embarcamos eu e Frances num voo matutino em Guarulhos, driblamos as seis horas de espera de conexão em Lima visitando o duty free e chegamos a Quito no começo da noite, prontos para o desafio de aclimatação a mais rápida possível a uma das capitais mais altas do mundo. 2.850 metros acima do nível do mar.

Sabe aquela coisa de tomar chá de coca para mais rápida adaptação ao ar rarefeito das altitudes elevadas, prática comum em Lima e em La Paz? Beber muita água, comer pouco e leve, dormir muitas horas assim que desembarcar?  Tudo para não sofrer do mal das alturas, a ânsia de vômito, a tontura, a dor de cabeça, a incapacidade de as pernas responderem aos passos que precisa dar, o fôlego curto dos primeiros dias?

Logo vou descobrir que no Equador não é tão comum essa prática. Não encontro chá de coca em nenhuma das lanchonetes do terminal de passageiros, assim que desembarcamos no mais novo aeroporto da América Latina e Caribe.   Aeroporto Internacional Mariscal Sucre, chamado também de Aeroporto Tababela, inaugurado em 2013. 

Narrativas de Bolso

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EQUADOR EM QUATRO TEMPOS

Edvaldo Pereira Lima

2 -   Viagem na História com Olga e Passageiros   Notáveis da Arte Popular

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Problemas com a altitude elevada de Quito?

Pouca coisa, apenas dor de cabeça leve.

O primeiro almoço é igualmente leve, para garantir a adaptação. No começo da tarde do primeiro dia, pouco mais de doze horas após a chegada, já aventuramos sair a campo.

Vamos descobrir em breve que os táxis são baratos na capital do Equador. Há corridas a menos de dois dólares, algumas a cinco ou seis para distâncias que em São Paulo valeriam 50 ou 60 reais. A questão da segurança, para evitar um dissabor de um eventual sequestro-relâmpago ou simplesmente de um taxista mal-intencionado que vai lhe extorquir, é fácil de resolver. Basta escolher, na rua, os táxis amarelos com uma espécie de grande selo azul ou verde nas portas. São a garantia de que o motorista está  credenciado pelo órgão competente da municipalidade de Quito.

Nesta primeira incursão, porém, faço a escolha mais conservadora: contrato um motorista executivo de confiança que presta serviços ao Stubel. Dez dólares a hora, à disposição para rodar por toda a cidade.

Eduardo Sparza deve ter pouco mais de 50 anos. É simpático, atencioso e discreto, uma atitude aberta a bem servir o cliente. Qualidades que vão nos chamar a atenção, a mim e a Frances, nos equatorianos. Pelo menos nos que trabalham em turismo. Gente boa.

A primeira missão de Eduardo   - que já esteve no Brasil três vezes buscando ônibus em fábrica na região de Curitiba, para a empresa que trabalhava -  conosco não é nos conduzir a nenhuma atração turística.  É nos levar para resolver um problema operacional de quase todo turista estrangeiro ao chegar ao Equador.

O país dolarizou a economia no ano 2000.  Como não produz sua própria moeda e sim a importa dos Estados Unidos, há falta de notas de valor alto, como 100 e 50 dólares. Turista normalmente chega com notas desses valores, por uma questão de segurança. Dá muito na vista você viajar com notas de pequeno valor, concorda? O volume no bolso, essas coisas.

Viagens

Meu livro  Por Trás do Tapete Mágico - Histórias da Aviação, lançado em agosto, seria parte de um projeto maior que denominei Memórias Narrativas. A ideia era produzir três livros que seriam compilações de reportagens que escrevi para revistas desde a década de 1980. Aviação comercial seria o tema do primeiro volume. Viagens e Turismo seria o segundo. E Nova Consciência seria o terceiro.

Ao levantar arquivo, porém, percebi que não havia material suficiente para o segundo, nem para o terceiro. Memórias Narrativas ficou valendo, como selo, para o primeiro livro, de qualquer modo.

Um ou outro texto que não estará mais em livro algum, porém, talvez mereça uma sobrevida. Curtição para o autor e, espero, curtição para os amigos que desejarem embarcar em breves viagens narrativas.

Aqui vai um primeiro. Quem sabe um tempo depois poderá haver outro. Sem pressa, nem pressão.

Publico aqui com autorização do Panrotas, revista onde o texto foi originalmente publicado.

 Vamos nessa? Viagem narrativa, de tempo e lugar.

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